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Análise da Indústria6 min de leitura

Por trás do prêmio de Sustentabilidade: a modernização da governança ambiental de uma fabricante americana de embalagens flexíveis

O diretor de sustentabilidade da Accredo Packaging levou o prêmio do ano, e à primeira vista parece uma honra pessoal. Mas na verdade mostra algo mais importante: uma fabricante média de embalagens flexíveis alçou a sustentabilidade de um departamento de relações públicas a uma posição estratégica. Para marcas e fornecedores de impressão brasileiros, isso muda tudo: os clientes deixarão de perguntar sobre títulos e vão cobrar três documentos: proporção de PCR, pegada de carbono e certificação de reciclabilidade. Deste texto você tira como os concorrentes americanos organizam o time de sustentabilidade e identifica o que sua operação precisa resolver

麥思知識學院Academy Founder Hung Tsung-Yuan

Por trás do prêmio de Sustentabilidade: a modernização da governança ambiental de uma fabricante americana de embalagens flexíveis

Um prêmio: por que não é notícia pessoal, mas um sinal para o setor?

Trei Johnson, diretor de sustentabilidade da Accredo Packaging, venceu Sustainability Leader of the Year 2026 nos Sustainability & Impact Awards da Packaging News. À primeira vista, é fácil passar por essa notícia como mais um prêmio pessoal, mas pela minha experiência acompanhando cadeias de embalagem flexível na América do Norte e Europa, isso é um sinal de transformação organizacional. A própria Accredo deixa bem claro no comunicado: o departamento de sustentabilidade saiu do padrão antigo de "escrever relatórios e responder questionários de clientes" e virou uma unidade de estratégia global, com dados, com ritmo, influenciando desenvolvimento de produtos

A diferença com relação à realidade na maioria das impressoras e marcas brasileiras é enorme. O que vejo é que sustentabilidade em muitas empresas ainda fica como um acúmulo de funções, alojado em departamentos de vendas ou administração. Escrevem um relatório ESG, fecham o assunto, e ninguém fica realmente responsável pela proporção de PCR, pelos avanços no desenvolvimento de estruturas de material único, pelos resultados de auditoria de carbono dos fornecedores. Quando clientes começam a filtrar fornecedores perguntando "vocês têm diretor de sustentabilidade?", o que estão pedindo não é o título no cartão, é a estrutura de governança inteira por trás

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Por que fabricantes de embalagens flexíveis precisam especificamente disso?

Embalagem flexível tem levado o peso maior da pressão por sustentabilidade nos últimos anos. O material precisa ser leve, ter barreira, ser reciclável e funcionar nos sistemas de reciclagem existentes — esses quatro objetivos puxam constantemente um contra o outro. No caso da Accredo Packaging, o destaque reportado aponta três linhas de ação que valem a pena estudar:

・Implementação de PCR: proporção de resina pós-consumidor, rastreabilidade da origem, consistência da disponibilidade ・Desenvolvimento de estrutura PE de material único: abandonar filmes multicamadas, adotar um sistema de resina única reciclável ・Auditoria de carbono de fornecedores: conseguir os números do scope 3 (emissões da cadeia de suprimentos e uso final), essencial para responder às demandas de pegada de carbono das marcas

Nenhuma dessas três linhas funciona isolada em um departamento de marketing. Exigem sincronia entre compras, desenvolvimento, qualidade e atendimento ao cliente. Por isso a Accredo Packaging estruturou o diretor de sustentabilidade para reportar direto ao CEO — a autoridade necessária para fazer departamentos diferentes falarem a mesma língua

A maioria das fábricas de embalagem flexível brasileiras ainda funciona no modelo "vendedor também cuida do ambiental", e quando cliente pergunta um detalhe, a resposta é "vou confirmar". Esse ritmo fica cada vez mais insustentável nos projetos de exportação nos próximos três anos

Qual é a tríade de documentos que clientes começam a cobrar?

O que o prêmio da Accredo Packaging sinaliza de verdade é que as marcas estão mudando de critério na auditoria de sustentabilidade. Nos últimos meses, em quase todos os RFPs (solicitações de proposta) de cliente, vejo sempre as mesmas três tabelas:

・Tabela de proporção de PCR: desagregada por produto, número de referência, percentual de PCR, e certificação de origem da resina reciclada (não uma média geral única) ・Tabela de pegada de carbono: no mínimo cradle-to-gate (da matéria-prima até saída de fábrica), scope 1 e 2 obrigatórios, scope 3 pelo menos até fornecedores de primeiro nível ・Certificação de reciclabilidade: How2Recycle, certificação APR (Association of Plastic Recyclers), ou relatório de teste conforme diretrizes de design CEFLEX europeu

Nenhuma dessas três tabelas se resolve escrevendo um comunicado. O que os pequenos e médios fabricantes brasileiros de impressão e marca deveriam fazer agora é rodar os números dessas três para suas principais linhas de produto, mesmo que sejam estimativas razoáveis por enquanto. Espaço em branco no novo formato de auditoria é sinônimo de eliminação

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Como fábricas pequenas e médias estruturam esse papel?

Fornecedores de porte médio ou maior podem considerar destacar sustentabilidade de um papel de apoio em vendas e elevar para uma unidade independente que reporta ao diretor-presidente ou CEO. O essencial é dar ao cargo três ferramentas: autoridade para convocar reuniões entre departamentos, poder de veto em decisões de desenvolvimento, e protagonismo na resposta a auditorias de sustentabilidade de clientes. Se faltar uma dessas três, é só mudança de cartão de visita

Fábricas que ainda não têm escala para um diretor em tempo integral podem começar por dois caminhos:

・Designar um gerente de qualidade ou desenvolvimento existente como ponto de contato de sustentabilidade, com uma porcentagem fixa de tempo para responder auditorias externas ・Contratar consultoria externa ou colaborar com times como MINDS Knowledge Academy, começando por estruturar o processo de mapeamento das três tabelas antes de decidir por um cargo formal

De qualquer forma, o ponto é o mesmo: sustentabilidade não para em "tem alguém escrevendo relatório ESG". Tem que haver alguém responsável pelos números, respondendo clientes, com voz nas decisões de produto. O que o prêmio da Accredo Packaging realmente mostra é o nível hierárquico que essa função deve ter, não o nome de quem a ocupa

Acha que não se aplica a você porque faz impressão, não embalagem?

Muitas gráficas de embalagem de papelão, rótulos ou livros acham que isso não as diz respeito. Essa ilusão segura por mais um ou dois anos no mercado local, mas assim que seu cliente é uma marca e o cliente da marca está numa prateleira de varejo europeu ou americano, você está na cadeia. A movimentação de pessoal na Graphic Packaging no mesmo período aponta para o mesmo: marcas estão mudando não a lei, mas quem dá as notas

Em vez de esperar o cliente perguntar "vocês têm diretor de sustentabilidade?", comece logo se perguntando: minhas linhas principais, essas três tabelas (PCR, pegada de carbono, certificação de reciclabilidade), consigo apresentar em três dias? Se conseguir, tem espaço para negociar. Se não, vai ficar só em competição de preço

O diferencial na gráfica nunca foi capacidade produtiva. É aquele olhar do cliente no momento da aprovação, aquele voto de confiança. Esse voto hoje está amarrado ao quão completos estão os seus dados de sustentabilidade, não em títulos ou nomes de cargos

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Síntese dos pontos principais

・Diretor de sustentabilidade é um sinal de transformação organizacional, não notícia pessoal ・O que marcas cobram são três tabelas: proporção de PCR, pegada de carbono, certificação de reciclabilidade ・A sustentabilidade em fábricas de embalagem flexível exige sincronismo entre compras, desenvolvimento, qualidade, atendimento ・O cargo de sustentabilidade precisa de três poderes: convocar reuniões interdepartamentais, vetar decisões de produto, protagonismo em respostas a clientes ・Pequenas e médias podem começar com consultoria externa, estruturando o mapeamento antes de criar um cargo formal

Reflexão complementar

Vendo o prêmio da Accredo Packaging de trás para frente, o que percebo é que o hiato nas estruturas de governança está se abrindo. Para fabricantes brasileiros, o movimento mais pragmático agora é mapear essas três informações (PCR, pegada de carbono, certificação de reciclabilidade) das linhas principais e colocar um prazo de seis meses. Se já vende marca fora do país, vá direto no cliente e peça o formulário de auditoria de sustentabilidade de fornecedores (RFP ou SAQ) mais recente — use as perguntas do cliente como checklist, é mais assertivo. O próximo sinal a acompanhar: os fornecedores da Accredo Packaging vão ser obrigados a entregar as mesmas três tabelas? Se isso cair no quarto trimestre ou primeiro semestre que vem, fabricantes brasileiros de embalagem flexível precisam ter a primeira rodada de dados pronta antes do cliente formalizar o pedido. Se quer ir além e integrar isso como processo permanente de governança e desenvolvimento, entre em contato com MINDS, começando pelo mapeamento de especificações de material e pegada de carbono no seu lado da impressão

Leitura complementar

FAQ

Qual é a diferença entre um Diretor de Sustentabilidade e um gerente de saúde, segurança e meio ambiente?
O gerente de SSA cuida de conformidade interna e registros de segurança da fábrica. O diretor de sustentabilidade gerencia dados verificáveis externamente: proporção de PCR, pegada de carbono, auditoria de cadeia de suprimentos, com autoridade que se estende até o lado do cliente e nas decisões de desenvolvimento de produto
Por que fabricantes de embalagem flexível especificamente precisam disso?
O material precisa ser leve, ter barreira, ser reciclável e funcionar nos sistemas de reciclagem existentes — esses quatro objetivos puxam constantemente um contra o outro. Isso exige alguém com autoridade para integrar compras, desenvolvimento e qualidade, senão fica travado entre esses departamentos
Quais dados de sustentabilidade as marcas mais cobram dos fornecedores de impressão?
Pelos RFPs recentes que vejo, pelo menos três: tabela de proporção de PCR (desagregada por produto com percentual e certificação de origem), tabela de pegada de carbono (mínimo cradle-to-gate, scope 1 e 2 obrigatórios), e certificação de reciclabilidade (How2Recycle, APR ou relatórios de teste conforme CEFLEX)
Fábricas pequenas demais para um diretor dedicado, por onde começam?
Coloque um prazo de seis meses para rodar as três tabelas das linhas principais — podem ser estimativas, mas com fundamento. Ao mesmo tempo, designe alguém em quadro existente como ponto de contato de sustentabilidade, com tempo dedicado para responder auditorias. Aí você vê se justifica criar um cargo formal
O prêmio da Accredo Packaging importa para fábricas que só trabalham com cliente local?
Importa sim. Se seu cliente vende em varejo europeu ou americano, ou se seu cliente é uma marca (mesmo que local), você está na cadeia de auditoria. E se a marca tem planos de exportação, melhor preparar os dados antes dela cobrar
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